Durante séculos, as sociedades produziram basicamente alimentos de fácil assimilação e decomposição e bens duradouros à base de matérias-primas naturais (madeira, couro, lã, algodão) ou muito pouco transformadas (cerâmica, por exemplo), aproveitando a energia em quantidades reduzidas. Os resíduos gerados eram inertes ou facilmente degradáveis e não constituíam um problema.
As montanhas de lixo começaram a crescer com o "boom" económico após a Segunda Guerra Mundial, um período de prosperidade nunca visto na história da humanidade que trouxe consigo uma mudança radical nos padrões de produção e consumo, bem como nas mentalidades e atitudes das pessoas. Lançar coisas para o lixo passou a ser uma forma de viver.
Em Portugal, embora tenhamos chegado mais tarde ao tipo de sociedade em que o "self-service" substitui o serviço personalizado, necessitando de artigos embalados de forma diferente, e em que os comerciantes estimulam o consumo com truques para que as pessoas comprem mais coisas e mais vezes, temos neste momento precisamente os mesmos problemas que os americanos tiveram nos anos 50. A expansão das grandes superfícies comerciais, um pouco por todo o país, e o acesso ao consumo levaram a que, de um momento para o outro, nos víssemos cercados de lixo.
Embora a produção de resíduos sólidos urbanos (RSU) esteja relacionada com o padrão sócio-económico das populações, não podemos considerá-lo um indicador de desenvolvimento ou de qualidade de vida, principalmente em sociedades como a nossa, chegadas recentemente ao consumo, que adquiriram depressa a capacidade de produzir, mas não a de tratar os resíduos.
Uma das formas de fazer com que as pessoas produzam mais lixo é não as colocar perante as consequências do seu acto, fazendo com que o lixo desapareça discretamente, sem mostrar os locais onde ele é depositado e se acumula. Não nos preocupamos desde que nos tirem o lixo da porta de casa. A camioneta recolhe o lixo, mas este não desaparece no nada. Pode ser lançado numa vala comum que, por vezes, fica bem mais perto do que pensamos, mas mais tarde vai voltar a aparecer sob outra forma e da maneira que menos esperamos.
Se não virem os resultados do seu consumo desordenado as pessoas não se vão preocupar com o ritmo a que produzem desperdícios. Mas neste momento já é difícil ocultar ou ignorar o problema que os RSU constituem.
Por mais que queiramos, o lixo nunca se deita suficientemente longe e não permanece no lugar onde o escondemos. Fermenta ao Sol, queima em combustões lentas ou vivas enviando para a atmosfera componentes altamente perigosos e infiltra-se no solo com as chuvas contaminando as águas subterrâneas que depois são bombeadas para beber ou regar. O lixo vai aparecer na água que bebemos, no ar que respiramos e nos alimentos que comemos sempre que nos limitarmos a afastar o lixo dos nossos olhos em vez de o tratar convenientemente. O problema é agravado pela deposição de lixos industriais perigosos, de óleos usados, de pneus ou de resíduos hospitalares contaminados nas mesmas lixeiras onde pomos o nosso lixo pessoal.
No entanto, os problemas causados pelos tratamentos normais do lixo, não são inevitáveis, existindo alternativas economicamente viáveis e mesmo compensadoras a médio e longo prazo, geradoras de emprego e muito menos prejudiciais para o ambiente e a nossa saúde do que aquelas que até agora vêm sendo adoptadas.
A população associa ao lixo a ideia de algo sem qualquer tipo de reaproveitamento. Se as câmaras recolherem convenientemente os lixos e a seguir promoverem a sua reciclagem, os consumidores sentir-se-ão motivados para cooperar neste esforço de mudança em direcção à sustentabilidade.
No documento que se segue poderá encontrar a descrição e funções dos diferentes equipamentos e serviços, bem como alguns eco-conselhos que poderá adoptar.
COM PEQUENOS GESTOS SE CONSTRÓI UM AMBIENTE MELHOR!