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Manuela Rodrigues e as confidências do escritor Ferreira de Castro

Oliveira de Azeméis
Manuela Rodrigues

 

A história da freguesia de Ossela não se faz sem se falar do seu ente mais querido, o escritor Ferreira de Castro, a maior figura cultural do município de Oliveira de Azeméis e uma das maiores da literatura portuguesa do século XX.

Nascido há mais de 120 anos (precisamente a 24 de maio de 1898) Ferreira de Castro depressa ganhou notoriedade no campo das letras. Reconhecendo o significado da sua obra no contexto da diáspora portuguesa, da qual se destaca o livro “A Selva”, a Imprensa Nacional Casa da Moeda e o Governo português instituíram o prémio Imprensa Nacional Ferreira de Castro dirigido a portugueses residentes no estrangeiro e lusodescendentes.

Mas quem foi esta figura das letras portuguesas que, ainda criança, já nutria um gosto particular pela leitura? Manuela Rodrigues, zeladora da sua casa durante muitos anos e que conheceu, como ninguém, o escritor, fala desse gosto e do prazer que ele tinha, em criança, de “andar de arco de arame tocado por um pau” e de “ir até Oliveira de Azeméis para ver como funcionava uma tipografia”. Percorria essa distância a pé, teria na altura uns sete ou oito anitos.

Querer ver e saber como funcionava uma tipografia seria já, sem dúvida, o gosto que tinha pela escrita. “Julgo que essa paixão vinha-lhe já de quando era criança. Aos 12 anos e meio foi para o Brasil e lá começou a escrever ainda novo”, relata Manuela Rodrigues.

Voltando à sua infância, Ferreira de Castro “gostava da escola, de ler e era um bom aluno”. Também gostava de brincar mas “naquela altura as crianças tinham pouco tempo para o fazer porque os pais punham-nos a trabalhar na terra e a fazer recados”.

Mesmo assim tinha tempo para brincar com os outros miúdos e “roubar” meias à sua mãe para fazer bolas de trapo para poder jogar à bola. Nada como é hoje, recorda Manuela Rodrigues, “antigamente não tinham outros meios para brincar”.

Manuela Rodrigues sente grande orgulho por ter convivido com Ferreira de Castro e zelado pela sua casa. Foi nessa mesma casa que conversava muito com ele, se recordavam os seus antepassados, a sua vida difícil, as suas venturas e desventuras.

“Quando estávamos juntos falava-me de tantas coisas, da escola, da sua mocidade, enfim, da sua vida. Sentava-se ali nas escadas a recordar o passado e nas coisas tristes por que passou”, lembra. “Dona Manuela a vida não é um mar de rosas, vá para casa fazer a sua vida e venha daqui a uma hora que eu vou ficar aqui sozinho, quero recordar os meus antepassados”, dizia.

Manuela Rodrigues recorda o dia em que foi convidada para zeladora da casa. “Fui chamada a casa dele e pensei que seria para eu fazer algumas cortinas porque eu trabalhava em costura. Levei um lápis, uma fita e um livrito. Estava ao fundo das escadas, bateu-me nas costas e disse-me: quero que tomes conta da minha casa. Fiquei surpreendida. A certa altura disse-me: pega na chave e vai fechar as janelas para começares o teu trabalho. Ainda hoje tenho essa chave”.

Manuela Rodrigues recorda ainda as virtudes do escritor, as suas passagens por Ossela (três vezes ao ano pelo menos), a proximidade e a amizade que tinha pelas crianças e pelas pessoas mais velhas, sempre que voltava à terra natal.

Manuela Rodrigues era muito nova quando Ferreira de Castro regressou do Brasil mas a sua mãe recordava-o muito bem assim como à sua esposa, Helena Muriel.

Era um homem bom e amigo. “Não se envaidecia com o que fazia e com o que dava à freguesia, era uma pessoa humilde”, refere, recordando que, entre outros contributos, as primeiras obras feitas na igreja foram pagas pelo escritor.

“Quando Ferreira de Castro voltou do Brasil trazia no bolso apenas 400 escudos. Pensou vir de lá com dinheiro suficiente para sustentar a mãe e a família mas a vida não lhe sorriu como ele queria”, comenta. Esta e outras recordações atravessam o pensamento de Manuela Rodrigues.

Não esquece a véspera em que Ferreira de Castro foi internado no hospital de Santo António, no Porto, cerca de três semanas antes de falecer. “Ele andou toda a tarde no quintal a colher morangos silvestres, na companhia do escritor Assis Esperança de quem era muito amigo. Correu o quintal todo, parece que se andava a despedir. Nesse dia combinou comigo irmos, na manhã seguinte, ao cemitério levar flores à sepultura da mãe e dos irmãos. Nunca o tinha visto tão risonho e satisfeito, quando falo nisto até me arrepio”, diz emocionada.

Ferreira de Castro faleceu a 29 de junho de 1974, pouco tempo depois da Revolução do 25 de Abril.

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